O
"jogo" mortal denominado Baleia Azul (blue whale) vem aterrorizando pais ao redor do mundo. Segundo o jornal investigativo Novaya Gazeta, da Rússia, foram contabilizados 130
suicídios de crianças e adolescentes entre novembro de 2015 e abril de 2016.
Os denominados "curadores", que ditam as regras e
"desafios" que os jovens completam antes de se suicidarem, são
criminosos, que devem ser retirados imediatamente do convívio social (físico e
virtual), por indução e auxílio ao suicídio, lesão corporal, ameaça e até mesmo
associação criminosa.
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| Crimes realizados através da internet, ou crimes cibernéticos, têm aumentado vertiginosamente. Fonte da imagem: Site Conape |
Para iniciar o “jogo”, os jovens "escolhidos"
são convocados a acessarem a página privada e secreta do grupo, denominado
“#F57”, no Facebook. Outras hashtags associadas ao "jogo" são: #SeaOfWhales, #WhalesSwimUpwards e #WakeMeUpAt420. Via Facebook, um "curador" passa as instruções dos desafios aos novos
jogadores. A partir de então, começa algo que inicialmente pode parecer uma
brincadeira, um "teste para os corajosos", mas na verdade é uma
manipulação, macabra e mortal, de crianças e adolescentes fragilizados.
No total, o jovem tem que provar que cumpriu 50
desafios. Para se ter uma ideia de alguns deles: escrever com uma navalha o
nome do grupo na palma da mão, cortar o próprio lábio, desenhar uma baleia em
seu corpo com uma faca, subir em um telhado, o mais alto possível, às 4h20 da
madrugada, subir em uma ponte e sentar-se na borda, e assim sucessivamente, até
chegar ao desafio final, que ordena tirar a própria vida. Caso o jovem queira
desistir no decorrer do “jogo”, ele sofre ameaças dos administradores, que
dizem saber tudo de suas vidas e de seus familiares.
Segundo o artigo "Social Media and Suicide: A Public Health Perspective", publicado no American Journal of Public Health, o primeiro caso documentado de uso da internet para
instigação ao suicídio (pacto de suicídio) ocorreu no Japão, no ano 2000. Na
Coréia do Sul, que em 2005 possuía uma das maiores taxas de suicídio do mundo
(24,7 para cada 100.000 habitantes), existem evidências de que os pactos cybersuicidas correspondem a
aproximadamente um terço desses suicídios.
Segundo dados do Ministério da Saúde, um brasileiro
comete suicídio a cada 45 minutos.
Já em 2006 um rapaz gaúcho de 16 anos se suicidou, tendo como “apoio”,
inclusive para definir a melhor forma de execução, um grupo que trocava
mensagens através de um fórum na internet. (Leia mais no artigo A relação entre o suicídio e a internet: o fenômeno do "suicídio.com").
A Baleia Azul, portanto, não é a primeira, e
infelizmente, não será a última, das bizarrices que aparecerão na internet e
farão com que percamos jovens que poderiam ter futuros promissores e felizes.
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| Autor desconhecido |
No cerne de todo esse problema está a depressão, a
incapacidade de lidar com a frustração, a desconexão e a falta de amor (ou ao
menos demonstração de amor) entre as pessoas na vida real. Esse desligamento da
vida real faz com que as pessoas procurem no mundo virtual se confortar com
outras que digam que se sentem e pensam exatamente como elas. Nesse contexto,
uma pessoa depressiva e com ideias suicidas acaba tendo todas as ferramentas em
mãos para potencializar o mal, a angústia, a tristeza e o sofrimento.
Prova disso é o depoimento de um homem de 21 anos,
chamado Philipp Budeikin, preso pela polícia russa, que deu uma entrevista perturbadora, na qual admitiu que instigou e ajudou 17 jovens a cometerem
suicídio, e afirmou que as vítimas “morreram felizes”. Ele disse: “Eu dei a
elas o que elas não tiveram em suas vidas reais: acolhimento, entendimento,
conexão”.
A seguir são enumeradas algumas dicas e sinais de
alerta aos quais os pais devem prestar atenção, segundo o "Youth SuicidePrevention Program" (Programa de prevenção ao suicídio de jovens):
A maioria dos jovens suicidas não quer realmente
morrer; eles querem acabar com sua dor. Em aproximadamente 80% dos casos, as
pessoas que se mataram deram sinais claros ou falaram sobre suicídio antes de
cometê-los. A chave para a prevenção é saber quais são os sinais e o que fazer
para ajudar. Preste atenção nos sinais. Eles podem indicar que alguém está
pensando em se suicidar. Quanto mais sinais você identificar, maior é o risco:
- Existência de tentativa anterior de suicídio
- Falar frequentemente sobre suicídio ou planejá-lo
- Forte desejo de morrer ou ter preocupação com a morte
- Desfazer-se, dar seus objetos preferidos, de valor sentimental
- Sinais de depressão, como mau humor, desesperança, isolamento
- Aumento no uso de álcool e/ou outras drogas
- Fazer insinuações sobre não estar mais presente no futuro ou ficar se despedindo das pessoas
No mundo virtual, o próprio Facebook conta com
ferramentas para ajudar em situações em que os amigos observam comportamentos
suspeitos. Ao ver mensagens que indiquem tendências suicidas ou de
automutilação, você pode clicar em "denunciar publicação", em seguida
selecionar "acredito que não deveria estar no Facebook", para, por
fim, escolher a opção relacionada a suicídio. Ao fazer isso, o autor da
publicação receberá uma mensagem dizendo que um amigo está preocupado e
oferecendo algumas opções de ajuda, entre elas o contato do CVV e dicas do que
fazer. Veja aqui matéria do site Uol sobre o assunto.
Os pais também devem ter consciência de que saber qual tipo de conteúdo seu filho acessa na internet não é um direito, e sim um dever. Assim como os pais zelosos não deixam que seus filhos andem por zonas de risco ou com companhias suspeitas pelas ruas, eles não deveriam deixá-los navegar por qualquer site ou conversar com qualquer pessoa na internet. Existem várias ferramentas que ajudam os pais a controlarem o que seus filhos acessam, para garantir um uso ético, seguro e saudável da tecnologia. Veja nestas matérias exemplos de ferramentas e dicas relacionadas à segurança digital: Google lança app para ajudar pais a acompanharem vida digital dos filhos, Aplicativos ajudam pais a controlarem acesso dos filhos à internet, 5 Ferramentas para controlar o que seu filho vê na internet, Segurança na internet para crianças: veja como proteger seus filhos.
Os pais também devem ter consciência de que saber qual tipo de conteúdo seu filho acessa na internet não é um direito, e sim um dever. Assim como os pais zelosos não deixam que seus filhos andem por zonas de risco ou com companhias suspeitas pelas ruas, eles não deveriam deixá-los navegar por qualquer site ou conversar com qualquer pessoa na internet. Existem várias ferramentas que ajudam os pais a controlarem o que seus filhos acessam, para garantir um uso ético, seguro e saudável da tecnologia. Veja nestas matérias exemplos de ferramentas e dicas relacionadas à segurança digital: Google lança app para ajudar pais a acompanharem vida digital dos filhos, Aplicativos ajudam pais a controlarem acesso dos filhos à internet, 5 Ferramentas para controlar o que seu filho vê na internet, Segurança na internet para crianças: veja como proteger seus filhos.
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| Fonte da imagem: Frases de Amizade |
Se você está envolvido em um grupo desse tipo, se aceitou entrar no jogo, se está pensando em machucar a si mesmo, procure ajuda. Isso não é covardia, pelo contrário! Sua vida é muito importante! Não se sinta envergonhado, você pode e merece receber apoio e ser feliz!
Caso não esteja conseguindo encontrar a pessoa com quem compartilhar seu drama, você pode ligar para o número 141, ou acessar o site da CVV: https://www.cvv.org.br. Se você estiver sendo ameaçado, se estiver com medo de sair do jogo, denuncie para a polícia, discando 190, e não deixe de informar um adulto de confiança. Converse, reaja, peça ajuda, seja corajoso! Sua vida é valiosa!
Caso não esteja conseguindo encontrar a pessoa com quem compartilhar seu drama, você pode ligar para o número 141, ou acessar o site da CVV: https://www.cvv.org.br. Se você estiver sendo ameaçado, se estiver com medo de sair do jogo, denuncie para a polícia, discando 190, e não deixe de informar um adulto de confiança. Converse, reaja, peça ajuda, seja corajoso! Sua vida é valiosa!
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| Fonte da imagem: Site Mensagens10 |
Vivemos em um mundo altamente tecnológico e não há
como retroceder. A internet e as redes sociais podem ajudar muito a sociedade a
evoluir, mas também trazem becos e escuridão ideais para quem quer se esconder
e cometer crimes.
Na imensidão do oceano do mundo digital, hoje
sofremos com a Baleia Azul[1],
e amanhã, outras ameaças surgirão. Resta-nos lembrarmos que, como humanos,
podemos aprender a nadar, mergulhar, surfar, enfim, aproveitar dos benefícios
do oceano, sem, porém, nos machucarmos. Resta-nos lembrarmos principalmente que,
como seres humanos, precisamos de abraços, beijos, conversas olho no olho, atenção,
compreensão e amor.
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| Tenhamos mais tempo em família. Fonte da imagem: Blog Luz e poeira |
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| Fonte da imagem: Centro espírita Irmão Aureo |
[1] Baleia
azul, maior animal do planeta Terra, tão lindo, inofensivo e fantástico... Não
entendi de forma alguma por que seu nome foi relacionado a algo tão criminoso,
imoral e triste quanto esse “jogo”.







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